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Edição 98 - Fevereiro / 2007

Um sonho de milhões de ovelhas

Um frigorífico envolvido com a ovinocultura pode gerar um formidável

desenvolvimento para a atividade. Alguns poucos estão abatendo

cordeiros e o mercado vem crescendo rapidamente. Ao mesmo tempo,

novos empresários surgem em todos os Estados e eles são a locomotiva

do negócio, que querem uma realidade com milhões de ovelhas...

 

Antes de tudo, é preciso não pu­­­nir o produtor rural. O Margen Cordeiro Nobre tem um projeto flexí­vel, pois há criadores que possuem um ní­vel tecnológico Nota A e ­outros que ainda necessitam de informações para deslancharem na produção.

Quanto maior essa informação me­lhores vão ficando as carcaças, e consequentemente menor será o cus­to de produção. O produtor, percebendo que seus produtos estão fi­­cando cada vez mais valorizados, vai repassando o procedimento para o restante do rebanho.

Não é fácil remover o primitivis­mo nos criatórios regionais. Tente di­zer a um índio que ele pode ter vi­da melhor! Ele jamais irá aceitar. Por que ele irá querer uma casa com azu­lejos? Ele nunca teve azulejos (nem trabalho), nem seu pai, nem seu avô. Por que iria introduzir essa ino­­vação bizarra, só para atazanar a esposa? Só para ter trabalho de lim­pá-los todos os dias? Aceitar a mo­dernidade não é tarefa fácil.

Por outro lado, há vários produ­tores que já utilizam planilhas de cus­tos, análises zootécnicas, etc. Sa­bem como fazer uma boa carcaça, estão testando cruzamentos, estão sem­pre atentos. Eles, mesmo sem o sa­ber, são a bússola do futuro. A revista “O Berro” tem mostrado alguns deles.

Os oportunistas, ou seja, aqueles que investem no mercado festivo de ex­po­sições, têm sua parte e, logo mais, irão investir na produção de carne, uma vez que já dominam o mercado de ­elite. Serão sempre grandes produtores, com má­xima tecnologia.

Aqueles que, porém, só produzem ove­lhas no fundo do quintal, ­vendendo para o Frigomato, têm os dias contados, se não adotarem alta tecnologia de produção. Não haverá lugar para car­caças inferiores, logo mais.

No Brasil é fácil observar que a que­­da do modismo vem quando grandes grupos e grandes criadores entram para a produção de bens, como carne, lei­te, etc. Os grandes produtores querem um lucro permanente, coisa que é im­possível no modismo. Apenas alguns con­seguem se tornar grandes, sendo isto comemorado com muita vaidade e gran­des despesas. Compensa tamanha vaidade? Afinal, quem se lembra dos homens vitoriosos de 15 anos atrás? Hoje são outros e daqui a 10 anos também serão outros”.

Chega um momento que não vale­rá mais a pena ficar disputando uma posição no mercado de animais de elite, sendo mais lucrativo estabelecer uma base sólida na produção de ­carne. É uma passagem do modismo para o concretismo, pois produzir carne e ­leite é muito mais sólido que produzir ­beleza ou finesse.

Para dar início a uma boa criação de animais de corte, basta ir anotando da­dos como Peso Vivo, Peso Morto, Ida­de, datas de nascimento, etc. São os dados básicos de quem quer conhecer o próprio rebanho, ou seu pró­prio ne­gócio. Quanto mais animais forem pa­ridos e desmamados, maior será o lu­cro. O Margen Cordeiro Nobre dá ori­en­tação sobre o assunto para qualquer in­teressado.

 

Os abatedouros

 

A cadeia produtiva atual, da manei­ra como se apresenta, leva à proliferação de frigoríficos pequenos, em evidente contraste com a grandeza do país, que exige frigoríficos grandes. E daí? O resultado é que surgem abate­dou­­ros com poucas condições de trabalho, valendo anotar as principais defi­ciên­cias:

1) A maioria não possui SIF.

2) Não contam com estrutura de aba­­te, armazenamento e distribuição ade­­quados.

3) Não se preocupam com a qualidade e padronização da carne para co­­mer­­cialização.

4) Não prestam atenção à e tam­pou­co fazem classificação de carcaça.

5) Não garantem constância na com­pra dos animais e em quantidade con­dizente com a produção.

6) Não têm definido um padrão de peso para a compra de cordeiros.

7) Compram de vários produtores e abatem sem distinção de peso e ida­de, colocando no mercado uma carne sem padrão e de baixa qualidade.

8) Na maioria dos casos não se preo­cupam com o transporte do animal vi­vo e desprezam o jejum de 12 horas - item primordial para se obter uma boa qua­lidade de carne, obedecendo padrões de higiene e sanidade

9) Atuam em mercados regionais, restringindo o volume de abate e conseqüentemente a compra de animais, desse modo, não incentivam produtores a aumentar seus rebanhos.

10) Os que buscam alguma qualidade, selecionam apenas os animais que se enquadram em suas classificações desprezando o restante do rebanho.

11) Alguns abatedouros não se res­ponsabilizam pela comercialização e distribuição do produto no mercado con­sumidor, o que acarreta problemas de higiene no manuseio e transporte das carcaças.

12) Alguns paralisam a atividade, sem sequer comunicar os fornecedores. Ou se mudam para outras lo­ca­lida­des. Ou mudam de atividade, sem prévio aviso.

13) Qualquer produtor, por mais des­classificado que seja, pode ­entregar sua produção ao abatedouro.

 

Os frigoríficos

 

Já os frigoríficos atuam de forma mais consistente, pois estão ­vinculados com a produção de carne bovina, a qual já atingiu um ponto de alta exigência. Apresentam nítidas vantagens sobre os aba­tedouros, valendo mencionar as se­guin­tes:

1) É a forma ideal de comercia­li­za­ção para garantir um constante padrão de qualidade.

2) Têm de cumprir as regras de clas­sificação e sanidade animal, seguindo uma padronização, uma vez que são registrados e são periodicamente fiscali­zados.

3) São prejudicados por não terem a garantia de entrega contínua, principalmente na entressafra, o que torna inviável manter uma linha de abate só para ovinos.

4) Pagam pelo peso de carcaça, mas não conseguem comprar um lote homogêneo, que possibilite cortes com aceitação comercial.

5) A maioria dos produtores não consegue se enquadrar nas ­exi­­gên­cias dos frigoríficos. Só com o progresso ha­verá produtores conscientes, produzindo para finalidades específicas e recebendo uma remuneração adequada.

 

Os subprodutos

 

A falta de organização da cadeia pro­dutiva da ovinocultura afeta a co­mer­cialização dos subprodutos. Tanto aba­tedouros quanto frigoríficos desprezam os subprodutos, pois o fornecimento para as indústrias processado­ras depende da produção em escala e em quantidade.

Mais felizes são os estabelecimentos do Nordeste, onde os miúdos, pica­dos, sarapatéis, etc. têm um mercado ga­rantido. Também as peles conseguem uma colocação mais facilitada, de­­vido ao artesanato local.

 

Um Brasil com milhões de abates

 

O Margen Cordeiro Nobre, dentro da sua estrutura e atuação no mercado nacional, tem a possibilidade de abater até 1.000 cabeças por dia. Atualmente, o Grupo Margen trabalha em seis Estados Brasileiros, estando Goiás estruturado para o abate de cordeiros. Essa possibilidade de abate, no entanto, existe ainda nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Tocantins, Rondônia e Pa­rá. Demonstrando uma poten­cia­li­dade grande, mas para isso, logica­men­te é necessário haver uma oferta e produção mínima de animais, justificando o investimento do grupo para tal.

Somando a capacidade de todos os 16 frigoríficos do grupo Margen, é possível calcular algo como abate contínuo de 6.000 cabeças/dia. Isto quer dizer que pode haver um total de 30.000 abates por semana, ou 120.000 cabeças por mês. Ou 1.440.000  por ano.

Ora, para ter 1.440.000 abates por ano, são necessárias mais do que 2.500.000 de ovelhas em produção. É um cálculo otimista, com reposição de 20% e mortalidade irrisória de 5%.

Ou seja, os abates do Grupo seriam um número significativo dentro do cenário nacional de ovinos, hoje. Basta um único sonho para multiplicar a ovinocultura do Brasil, rapidamente! (Ver Tabela 1)

Muito difícil? Pode ser. Impossível? Não.

 

Conclusão

 

A ovinocultura depara-se com um mercado instável, onde o consumidor não consegue comprar um produto de qualidade e, portanto, não consome em quantidades que tornem a criação economicamente atraente, dificultando a fi­xação da carne de cordeiro no ­cardápio do brasileiro.

É preciso acelerar a chegada de tec­nologia a todas as fases da cadeia pro­dutiva. O produtor de carne, hoje, é muito semelhante a um “bombeiro”, sempre apagando incêndio, ou seja, es­tá sempre tentando sair do prejuízo. Pa­ra corrigir essa distorção, é necessá­rio um diálogo franco entre grandes em­presários e promover a atividade, principalmente nas periferias dos frigoríficos e dos grandes centros urbanos.

 


 

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