Um frigorífico envolvido com a ovinocultura pode gerar um formidável
desenvolvimento para a atividade. Alguns poucos estão abatendo
cordeiros e o mercado vem crescendo rapidamente. Ao mesmo tempo,
novos empresários surgem em todos os Estados e eles são a locomotiva
do negócio, que querem uma realidade com milhões de ovelhas...
Antes de tudo, é preciso não punir o produtor rural. O Margen Cordeiro Nobre tem um projeto flexível, pois há criadores que possuem um nível tecnológico Nota A e outros que ainda necessitam de informações para deslancharem na produção.
Quanto maior essa informação melhores vão ficando as carcaças, e consequentemente menor será o custo de produção. O produtor, percebendo que seus produtos estão ficando cada vez mais valorizados, vai repassando o procedimento para o restante do rebanho.
Não é fácil remover o primitivismo nos criatórios regionais. Tente dizer a um índio que ele pode ter vida melhor! Ele jamais irá aceitar. Por que ele irá querer uma casa com azulejos? Ele nunca teve azulejos (nem trabalho), nem seu pai, nem seu avô. Por que iria introduzir essa inovação bizarra, só para atazanar a esposa? Só para ter trabalho de limpá-los todos os dias? Aceitar a modernidade não é tarefa fácil.
Por outro lado, há vários produtores que já utilizam planilhas de custos, análises zootécnicas, etc. Sabem como fazer uma boa carcaça, estão testando cruzamentos, estão sempre atentos. Eles, mesmo sem o saber, são a bússola do futuro. A revista “O Berro” tem mostrado alguns deles.
Os oportunistas, ou seja, aqueles que investem no mercado festivo de exposições, têm sua parte e, logo mais, irão investir na produção de carne, uma vez que já dominam o mercado de elite. Serão sempre grandes produtores, com máxima tecnologia.
Aqueles que, porém, só produzem ovelhas no fundo do quintal, vendendo para o Frigomato, têm os dias contados, se não adotarem alta tecnologia de produção. Não haverá lugar para carcaças inferiores, logo mais.
No Brasil é fácil observar que a queda do modismo vem quando grandes grupos e grandes criadores entram para a produção de bens, como carne, leite, etc. Os grandes produtores querem um lucro permanente, coisa que é impossível no modismo. Apenas alguns conseguem se tornar grandes, sendo isto comemorado com muita vaidade e grandes despesas. Compensa tamanha vaidade? Afinal, quem se lembra dos homens vitoriosos de 15 anos atrás? Hoje são outros e daqui a 10 anos também serão outros”.
Chega um momento que não valerá mais a pena ficar disputando uma posição no mercado de animais de elite, sendo mais lucrativo estabelecer uma base sólida na produção de carne. É uma passagem do modismo para o concretismo, pois produzir carne e leite é muito mais sólido que produzir beleza ou finesse.
Para dar início a uma boa criação de animais de corte, basta ir anotando dados como Peso Vivo, Peso Morto, Idade, datas de nascimento, etc. São os dados básicos de quem quer conhecer o próprio rebanho, ou seu próprio negócio. Quanto mais animais forem paridos e desmamados, maior será o lucro. O Margen Cordeiro Nobre dá orientação sobre o assunto para qualquer interessado.
Os abatedouros
A cadeia produtiva atual, da maneira como se apresenta, leva à proliferação de frigoríficos pequenos, em evidente contraste com a grandeza do país, que exige frigoríficos grandes. E daí? O resultado é que surgem abatedouros com poucas condições de trabalho, valendo anotar as principais deficiências:
1) A maioria não possui SIF.
2) Não contam com estrutura de abate, armazenamento e distribuição adequados.
3) Não se preocupam com a qualidade e padronização da carne para comercialização.
4) Não prestam atenção à e tampouco fazem classificação de carcaça.
5) Não garantem constância na compra dos animais e em quantidade condizente com a produção.
6) Não têm definido um padrão de peso para a compra de cordeiros.
7) Compram de vários produtores e abatem sem distinção de peso e idade, colocando no mercado uma carne sem padrão e de baixa qualidade.
8) Na maioria dos casos não se preocupam com o transporte do animal vivo e desprezam o jejum de 12 horas - item primordial para se obter uma boa qualidade de carne, obedecendo padrões de higiene e sanidade
9) Atuam em mercados regionais, restringindo o volume de abate e conseqüentemente a compra de animais, desse modo, não incentivam produtores a aumentar seus rebanhos.
10) Os que buscam alguma qualidade, selecionam apenas os animais que se enquadram em suas classificações desprezando o restante do rebanho.
11) Alguns abatedouros não se responsabilizam pela comercialização e distribuição do produto no mercado consumidor, o que acarreta problemas de higiene no manuseio e transporte das carcaças.
12) Alguns paralisam a atividade, sem sequer comunicar os fornecedores. Ou se mudam para outras localidades. Ou mudam de atividade, sem prévio aviso.
13) Qualquer produtor, por mais desclassificado que seja, pode entregar sua produção ao abatedouro.
Os frigoríficos
Já os frigoríficos atuam de forma mais consistente, pois estão vinculados com a produção de carne bovina, a qual já atingiu um ponto de alta exigência. Apresentam nítidas vantagens sobre os abatedouros, valendo mencionar as seguintes:
1) É a forma ideal de comercialização para garantir um constante padrão de qualidade.
2) Têm de cumprir as regras de classificação e sanidade animal, seguindo uma padronização, uma vez que são registrados e são periodicamente fiscalizados.
3) São prejudicados por não terem a garantia de entrega contínua, principalmente na entressafra, o que torna inviável manter uma linha de abate só para ovinos.
4) Pagam pelo peso de carcaça, mas não conseguem comprar um lote homogêneo, que possibilite cortes com aceitação comercial.
5) A maioria dos produtores não consegue se enquadrar nas exigências dos frigoríficos. Só com o progresso haverá produtores conscientes, produzindo para finalidades específicas e recebendo uma remuneração adequada.
Os subprodutos
A falta de organização da cadeia produtiva da ovinocultura afeta a comercialização dos subprodutos. Tanto abatedouros quanto frigoríficos desprezam os subprodutos, pois o fornecimento para as indústrias processadoras depende da produção em escala e em quantidade.
Mais felizes são os estabelecimentos do Nordeste, onde os miúdos, picados, sarapatéis, etc. têm um mercado garantido. Também as peles conseguem uma colocação mais facilitada, devido ao artesanato local.
Um Brasil com milhões de abates
O Margen Cordeiro Nobre, dentro da sua estrutura e atuação no mercado nacional, tem a possibilidade de abater até 1.000 cabeças por dia. Atualmente, o Grupo Margen trabalha em seis Estados Brasileiros, estando Goiás estruturado para o abate de cordeiros. Essa possibilidade de abate, no entanto, existe ainda nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Tocantins, Rondônia e Pará. Demonstrando uma potencialidade grande, mas para isso, logicamente é necessário haver uma oferta e produção mínima de animais, justificando o investimento do grupo para tal.
Somando a capacidade de todos os 16 frigoríficos do grupo Margen, é possível calcular algo como abate contínuo de 6.000 cabeças/dia. Isto quer dizer que pode haver um total de 30.000 abates por semana, ou 120.000 cabeças por mês. Ou 1.440.000 por ano.
Ora, para ter 1.440.000 abates por ano, são necessárias mais do que 2.500.000 de ovelhas em produção. É um cálculo otimista, com reposição de 20% e mortalidade irrisória de 5%.
Ou seja, os abates do Grupo seriam um número significativo dentro do cenário nacional de ovinos, hoje. Basta um único sonho para multiplicar a ovinocultura do Brasil, rapidamente! (Ver Tabela 1)
Muito difícil? Pode ser. Impossível? Não.
Conclusão
A ovinocultura depara-se com um mercado instável, onde o consumidor não consegue comprar um produto de qualidade e, portanto, não consome em quantidades que tornem a criação economicamente atraente, dificultando a fixação da carne de cordeiro no cardápio do brasileiro.
É preciso acelerar a chegada de tecnologia a todas as fases da cadeia produtiva. O produtor de carne, hoje, é muito semelhante a um “bombeiro”, sempre apagando incêndio, ou seja, está sempre tentando sair do prejuízo. Para corrigir essa distorção, é necessário um diálogo franco entre grandes empresários e promover a atividade, principalmente nas periferias dos frigoríficos e dos grandes centros urbanos.