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Edição 98 - Fevereiro / 2007

Editorial

Discussões que vão e que vêm

 

Muito se tem discutido sobre a cadeia produtiva da ovino-caprinocultura bra­sileira, diante do formidável progresso que se assiste. Acontece que há uma de­sordem no cenário: pessoas entrando na atividade, pessoas estacionando, pes­soas investindo, pessoas desistindo. Quando chegará a normalidade? As su­gestões para a cadeia produtiva são muitas, desde aumento de produção de car­ne e leite em escala, até melhoramento das políticas públicas. Há sugestões pa­ra todos os gostos.

Na verdade, é difícil dar o primeiro passo, pois os demais elos da cadeia em­perram a máquina - como acontece em qualquer lugar do mundo. Falta o Go­verno, assumindo a atividade como sendo uma ferramenta de progresso e ge­radora de bem-estar social. Ora, a ovino-caprinocultura, bem trabalhada, a ní­vel governamental, pode gerar cerca de 20 milhões de empregos e, então, se o Governo divulgasse isso, os empresários fariam o restante. Eles, os empresários, gerariam os empregos, desde que houvesse consolidação da cadeia produ­ti­va, dando dignidade ao produto que sai das fazendas.

É cansativo ouvir falar de ca­pri­nos e ovinos como “coisa de pobre”, “coisa de gente miúda”. Praticamente as iniciativas públicas tentam estimular os “peque­nos”, os “miúdos”, esquecendo-se do restante da atividade. No momento em que os em­presários investem pesadamente no mercado de animais de elite, seria im­portante ver que o Governo quer, em contrapartida, estimular a pro­dução de car­ne e leite. Seria a mais sensata maneira de levar a ati­vi­­dade à auto-sus­ten­tabilidade.

O enfoque sobre “pequenos” e “miúdos”, além de paternalista, pode resultar no fracasso já acontecido com medidas semelhantes, no passado (com suínos, com bovinos, com codornas e outras aves, etc.). O estímulo aos “pequenos” e “miú­dos” é muito mais eficaz quando tem o exemplo, na propriedade vizinha, de em­presários bem sucedidos. Afora isso, é ficar repetindo o desgastado refrão fran­cês de que “a cabra é a vaquinha do pobre”, quando se ouve falar de vacas que valem milhões!

São Paulo acaba de lançar sua Câmara Setorial e espera-se muito dela, até pa­ra servir de exemplo dinâmico para outras Câmaras já existentes. Cabe a elas, as Câmaras, promover discussões, levantamentos, propor Leis, Decretos, Re­­gulamen­ta­ções, Impostos, Ajustes Fiscais, Linhas de Crédito, Securiti­zação, etc. Tudo parte da Câ­mara para chegar às esferas superiores.

Minas Gerais está se mexendo: já realizou o Plano Setorial para a atividade no Estado e também encaminhou o projeto Leite Legal, para 100 litros diários em ca­da propriedade. É um notável começo!

No Mato Grosso, a Câmara Setorial tenta colocar a ovinocul­tura como ativida­de propícia à região. No Mato Grosso do Sul, a Câmara festeja o primeiro ­frigorífico específico para ovinos, com SIF e aproveitamento de todos os subprodutos. Também inaugurou o Centro Tecnológico de Ovinocultura, além de ter conseguido R$ 1,7 milhão para pesquisas e difusão de tecnologia.

A Câmara do Paraná lançou o Projeto Gourmet, ensinando a preparação, pois entende que “havendo aumento do consumo haverá progresso dentro das por­teiras”.

Várias outras iniciativas poderiam ser citadas, deixando claro que, de discus­são em discussão, surge a solução!

As discussões, portanto, são excelentes para o desenvolvimento. Antes de uma boa ação é preciso uma boa discussão!

Esta edição, traz um ­empreendimento diferente, um gerador de produtores. Não apenas a descrição do que está ­fazendo um produtor, mas a descrição do esforço para colocar no mundo moderno centenas de produtores.

São os produtores de carne (e de leite), somados aos empresários que ala­van­cam todos os elos da cadeia produtiva, que levarão ao futuro gran­dioso que está cada vez mais perto.

Como a cadeia produtiva não está consolidada, principalmente no tocante às informações sobre a operação interna da propriedade (manejo, reprodução, sa­nidade, etc.) continuarão existindo pessoas que entram e desistem: muito natu­ral. No futuro, quando a cadeia estiver consolidada, elas voltarão.

Como não desistir? É fácil: basta buscar toda sorte de informações, antes de colocar o santo dinheiro no empreendimento. Ouvir, ouvir, ouvir, eis o ­caminho. Para isso, vem aí a FEINCO, com um rol de palestras de alto nível e discussões sobre a produção. Além disso, pioneiramente, vai apresentar “Casos em discussão”, abrindo as porteiras de bons produtores que já percorreram um longo cami­nho em suas propriedades. Eles são os mais objetivos e ideais propagadores da ex­celência da atividade.

A FEINCO-2007, portanto, pode ser um divisor de águas na história da ca­pri­no-ovinocultura.

 


 

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