Discussões que vão e que vêm
Muito se tem discutido sobre a cadeia produtiva da ovino-caprinocultura brasileira, diante do formidável progresso que se assiste. Acontece que há uma desordem no cenário: pessoas entrando na atividade, pessoas estacionando, pessoas investindo, pessoas desistindo. Quando chegará a normalidade? As sugestões para a cadeia produtiva são muitas, desde aumento de produção de carne e leite em escala, até melhoramento das políticas públicas. Há sugestões para todos os gostos.
Na verdade, é difícil dar o primeiro passo, pois os demais elos da cadeia emperram a máquina - como acontece em qualquer lugar do mundo. Falta o Governo, assumindo a atividade como sendo uma ferramenta de progresso e geradora de bem-estar social. Ora, a ovino-caprinocultura, bem trabalhada, a nível governamental, pode gerar cerca de 20 milhões de empregos e, então, se o Governo divulgasse isso, os empresários fariam o restante. Eles, os empresários, gerariam os empregos, desde que houvesse consolidação da cadeia produtiva, dando dignidade ao produto que sai das fazendas.
É cansativo ouvir falar de caprinos e ovinos como “coisa de pobre”, “coisa de gente miúda”. Praticamente as iniciativas públicas tentam estimular os “pequenos”, os “miúdos”, esquecendo-se do restante da atividade. No momento em que os empresários investem pesadamente no mercado de animais de elite, seria importante ver que o Governo quer, em contrapartida, estimular a produção de carne e leite. Seria a mais sensata maneira de levar a atividade à auto-sustentabilidade.
O enfoque sobre “pequenos” e “miúdos”, além de paternalista, pode resultar no fracasso já acontecido com medidas semelhantes, no passado (com suínos, com bovinos, com codornas e outras aves, etc.). O estímulo aos “pequenos” e “miúdos” é muito mais eficaz quando tem o exemplo, na propriedade vizinha, de empresários bem sucedidos. Afora isso, é ficar repetindo o desgastado refrão francês de que “a cabra é a vaquinha do pobre”, quando se ouve falar de vacas que valem milhões!
São Paulo acaba de lançar sua Câmara Setorial e espera-se muito dela, até para servir de exemplo dinâmico para outras Câmaras já existentes. Cabe a elas, as Câmaras, promover discussões, levantamentos, propor Leis, Decretos, Regulamentações, Impostos, Ajustes Fiscais, Linhas de Crédito, Securitização, etc. Tudo parte da Câmara para chegar às esferas superiores.
Minas Gerais está se mexendo: já realizou o Plano Setorial para a atividade no Estado e também encaminhou o projeto Leite Legal, para 100 litros diários em cada propriedade. É um notável começo!
No Mato Grosso, a Câmara Setorial tenta colocar a ovinocultura como atividade propícia à região. No Mato Grosso do Sul, a Câmara festeja o primeiro frigorífico específico para ovinos, com SIF e aproveitamento de todos os subprodutos. Também inaugurou o Centro Tecnológico de Ovinocultura, além de ter conseguido R$ 1,7 milhão para pesquisas e difusão de tecnologia.
A Câmara do Paraná lançou o Projeto Gourmet, ensinando a preparação, pois entende que “havendo aumento do consumo haverá progresso dentro das porteiras”.
Várias outras iniciativas poderiam ser citadas, deixando claro que, de discussão em discussão, surge a solução!
As discussões, portanto, são excelentes para o desenvolvimento. Antes de uma boa ação é preciso uma boa discussão!
Esta edição, traz um empreendimento diferente, um gerador de produtores. Não apenas a descrição do que está fazendo um produtor, mas a descrição do esforço para colocar no mundo moderno centenas de produtores.
São os produtores de carne (e de leite), somados aos empresários que alavancam todos os elos da cadeia produtiva, que levarão ao futuro grandioso que está cada vez mais perto.
Como a cadeia produtiva não está consolidada, principalmente no tocante às informações sobre a operação interna da propriedade (manejo, reprodução, sanidade, etc.) continuarão existindo pessoas que entram e desistem: muito natural. No futuro, quando a cadeia estiver consolidada, elas voltarão.
Como não desistir? É fácil: basta buscar toda sorte de informações, antes de colocar o santo dinheiro no empreendimento. Ouvir, ouvir, ouvir, eis o caminho. Para isso, vem aí a FEINCO, com um rol de palestras de alto nível e discussões sobre a produção. Além disso, pioneiramente, vai apresentar “Casos em discussão”, abrindo as porteiras de bons produtores que já percorreram um longo caminho em suas propriedades. Eles são os mais objetivos e ideais propagadores da excelência da atividade.
A FEINCO-2007, portanto, pode ser um divisor de águas na história da caprino-ovinocultura.