Rinaldo dos Santos
Embora a indústria seja apontada como o principal setor da vida brasileira pela mídia, a verdade é que o agronegócio tem garantido o superávit da balança comercial do país. O setor rural tampa o rombo deixado pela indústria! Além disso, há mais de uma década o campo é o setor que mais gera empregos - cerca de 18 milhões, ou 30% da população economicamente ocupada do país. Muito bom!
O gozado é que tais números já deixam claro que são absurdas e infundadas as denúncias de algumas entidades e ONGs, que insistem em afirmar que o trabalho escravo é a principal forma de emprego na agricultura brasileira. Chamam de "trabalho escravo" a falta de carteira assinada - esquecendo-se que a maior parte dos empregos urbanos brasileiros são informais. O mais interessante é que, além dessas ONGs, há até órgãos do próprio governo federal repetindo a acusação como papagaios.
Viva o campo - Tais ONGs e entidades fecham os olhos para a realidade e tentam esconder o óbvio: o agronegócio, como um todo, gera um emprego para cada três existentes no país. Apenas a agricultura gerou 155.786 empregos formais diretos nos primeiros cinco meses de 2004.
Ao mesmo tempo, o Ministério da Agricultura, com base em projeções do BNDES, calcula que até o final de 2004 o agronegócio brasileiro terá gerado 1,2 milhão de empregos. Qual outro setor da economia criou esse número de empregos?
Mesmo espezinhado, sem crédito e sem um estímulo realista, o setor rural absorveu 400 mil novos trabalhadores e gerou mais 340 mil empregos indiretos em toda a cadeia produtiva. Devia receber muitos elogios... e não pichação.
Outras 580 mil vagas foram geradas, fora do setor rural, em conseqüência do efeito da renda agropecuária. Trocando em miúdos, isso significa que a capitalização dos produtores estimulou a abertura de empregos em outras áreas da economia, como as indústrias da construção civil, têxtil e automobilística.
Sim, até na indústria automobilística tão cantada em prosa e verso. A exportação e o bom desempenho do agronegócio brasileiro levaram à demanda de tratores, colheitadeiras e utilitários, gerando nos últimos quatro meses cerca de 3.200 novas vagas nas montadoras.
Por conta do sucesso rural, com uma galopante modernização da agricultura brasileira o número de empregos indiretos nas cidades brasileiras tem aumentado a cada ano. A renda per cápita também. Nos últimos 30 anos, em conseqüência da expansão da fronteira agrícola do país, dezenas de novas cidades surgiram. Com elas, novos empregos. E mais renda para novas pessoas. Esse desbravamento gera empregos e saldo positivo, enquanto que as novas fronteiras da indústria deixam um rombo...
De fato, nas cidades criadas em função da expansão da agricultura em regiões como Mato Grosso, oeste da Bahia, Rondônia, Acre e Roraima, a renda per cápita de seus habitantes é superior à renda per capita brasileira. Exemplo: o município de Sorriso, no norte do Mato Grosso, responde hoje por 2,8% da produção nacional de grãos - com uma agricultura considerada das mais modernas do mundo, pela utilização de alta tecnologia e ocupação racional do solo - vem registrando um crescimento de 15% ao ano. Ali, o desemprego é quase nulo e a renda per cápita do município é de US$ 7.870 contra os US$ 6.300 da brasileira.
Diante de tantos números maravilhosos, como é possível que certos grupos tentem sujar a imagem do setor que mais cresce, gera empregos e renda na economia brasileira? O mais estranho é que essas acusações intensificam-se justamente em um momento em que o Brasil, impulsionado pelo agronegócio, aumenta sua participação no comércio mundial. Muito estranho!
Realmente, desde o início de 2003 até o mês de setembro de 2004, as exportações do país cresceram 25,5% - ou 8% acima da média mundial, que ficou em 17,4%. Pela primeira vez, nos últimos 19 anos, o Brasil responde por 1% das vendas globais e transformou-se no maior exportador mundial de carne. Motivo de festa e não de acusações.
O mais interessante é que a maioria dessas ONGs são estrangeiras, ou recebem recursos dos chamados países ricos (Estados Unidos e Europa), que estão perdendo mercados para os produtos brasileiros, principalmente aqueles saídos do campo. É preciso, portanto, que se dê um basta às denúncias de trabalho escravo no campo. Afinal, o povo brasileiro é escravo do governo, pois mais de 40% de seu suor vai parar nos cofres dos governos e isso, sim, merecia acusação.
Caprinos & Ovinos - O campo vai muito bem, deixando resíduos agrícolas para a engorda intensiva de bovinos e ovinos. Já não se fala mais em "latifúndios pecuários", pois o moderno empresário rural não quer acumular terras, mas sim aumentar sua lucratividade a cada ano. Uma pequena área, bem manejada, produz mais que um latifúndio em criação extensiva. As pequenas propriedades, com tecnologia intensiva, geram mais empregos e maior produção por espaço ocupado - isso é o que interessa. Não existem, portanto, grandes áreas ocupadas para justificar qualquer tipo de Reforma Agrária. As grandes áreas estão lotadas de grãos lucrativos!
Assim, o espaço para os ovinos e caprinos vai ficando cada vez mais evidente. As grandes fazendas dividem-se em várias menores, introduzindo novas explorações no lugar onde, antes, só havia bovinos em manejo extensivo. Os empresários do Sudeste e Centro-Oeste estão atentos para essa realidade e já começam a investir, maciçamente, na produção de carne de ovinos - tentando conquistar o fabuloso mercado brasileiro que, hoje, é atendido por carnes que vêm do Uruguai, Argentina, Nova Zelândia e Austrália. Depois de bem atendido o mercado nacional, haverá o mercado internacional que olha a expansão brasileira com olhos gulosos. Daqui pode sair grande parte dos alimentos para o mundo. Isso inclui a carne e o leite de ovinos e caprinos.
Fica, então, explicado o momento eufórico da ovino-caprinocultura, atingindo preços formidáveis. Isso é normal e fundamenta a expansão de núcleos produtores de carne e leite.
Os nordestinos nunca tiveram um momento histórico tão recompensador como este, pois o país inteiro vai se abastecer nos currais do Agreste e do Semi-Árido, os quais multiplicam suas criações, todos os anos.
Está ainda distante o momento em que o rebanho nacional irá se estabilizar, pois - no momento - soma apenas 25 milhões de cabeças e o espaço é para 100 milhões de ovinos de corte e 50 milhões de caprinos (corte e leite). O retorno dos investimento em caprino-ovinocultura é muito rápido, pois o ciclo econômico é de apenas 12 meses, no máximo, enquanto que, na bovinocultura, é de quase 48 meses.
O momento, portanto, é de canalizar investimentos para um dos principais setores do agronegócio brasileiro, que está apenas começando e não prestar atenção às notícias de "trabalho escravo", pois elas são um engodo para tentar frear a alegria que banha o setor rural, de norte a sul do Brasil.