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Edição 78É preciso analisar o desempenho dos ovinos Núcleo de Criadores de Ile de France dos Campos de Cima da Serra Temos ouvido de todos os lados as maravilhas de ser criador de ovinos. Todos os meios de comunicação divulgam que criar ovinos apresenta inúmeras vantagens, que os preços da carne e outros produtos ovinos estão com preços animadores e que qualquer empresário de sucesso deveria criar ovinos. Os preços praticados em alguns leilões são algo nunca imaginados na atividade, e assim por diante. A atividade realmente é atrativa e oferece inúmeras vantagens para quem deseja realizá-la. A criação de ovinos destaca-se por poder ser exercida em praticamente todos os ambientes e em qualquer tamanho de propriedade, produzindo variados produtos comercializáveis, além de um ciclo curto de produção, o que é fundamental na exploração agropecuária atual. Se quisermos aproveitar esta capacidade de rápida produção que a ovelha possui, temos que selecionar indivíduos que realmente possuam esta característica. Ao elegermos a raça que vamos utilizar, devemos dedicar especial atenção à sua capacidade produtiva, pois não adianta os altos investimentos em leilões em animais que são filhos deste ou daquele animal ou receberam tais e tais prêmios em exposições, se o resultado econômico que vamos retirar dele depende do jogo especulativo de leilões e exposições. Quantos quilos de carne os filhos deste animal vão produzir a mais do que os outros? A carcaça destes cordeiros como será? A qualidade da carne produzida será adequada? Qual será a prolificidade das filhas destes carneiros? Com que idade vão estar aptas à reprodução? São perguntas fundamentais numa pecuária em que se busca produção e a real melhoria genética. Infelizmente, no Brasil, não temos um teste de progênie maciço e conclusivo de todos os indivíduos aptos à reprodução nos pólos difusores de genética que são as cabanhas. Algumas tentativas têm sido feitas em universidades e centros de pesquisas. Devemos incentivá-las, apoiando sua realização e a difusão de seus resultados. Em nossas cabanhas, criamos animais voltados à produção de carne e temos como destaque a produção de reprodutores da raça Ile de France, que possui como principal função a produção de cordeiros pesados e precoces para abate. A escolha desta raça deveu-se ao fato de que ela se adapta muito bem na região. Além do mais, como é uma região de terras caras, devemos possuir animais que realmente sejam produtivos. A raça Ile de France iniciou seus testes de desempenho na França em 1934, onde eram avaliados, inicialmente, ganho-de-peso e prolificidade (capacidade de produzir gêmeos). Posteriormente, foi avaliada a carcaça, a qualidade de carne, sendo provavelmente a pioneira em avaliação objetiva de seus reprodutores. Com isto, através dos anos, foi agregando ganhos genéticos que são cumulativos e difíceis de se conseguir de uma hora para outra. Cardellino e Benítez relatam em seu trabalho o resultado de 5 anos de pesquisa em testes de ganho-de-peso realizados na Fepagro e Embrapa Cppsul, utilizando cordeiros (candidatos a reprodutores) das quatro principais raças utilizadas no Rio Grande do Sul para produção de cordeiros “tipo carne”, no qual a raça Ile de France destacou-se das demais, atingindo uma superioridade em ganho-de-peso, da ordem de 6% sobre a raça Suffolk, de 13% sobre a Hampsire Down e de mais de 35% sobre a raça Texel. Quando foi avaliada a qualidade da carcaça, os ovinos Ile de France superaram os Texel em 13% na medida de área de olho de lombo, que estima a musculosidade da carcaça e reflete no rendimento de carne produzido pelo animal. Na revista O Berro, n ° 68, de agosto de 2004, Cunha, Bueno e Santos apresentam resultados de avaliação de carcaças, comparando cordeiros de raças de corte criados intensivamente. Pode-se notar que o Ile de France destaca-se na maioria das características de interesse econômico analisadas. Nos recentes testes de avaliação de cordeiros realizados em São Paulo , o Ile desponta nos quesitos ganho-de-peso e qualidade de carcaça. A qualidade de carne, que se baseia entre outras coisas nos testes de maciez, suculência e sabor, mais uma vez conferem ao Ile de France papel de destaque, pois em todos painéis sensoriais ou testes mecânicos que se tem realizado no país ou no exterior colocam o Ile entre os melhores. Estes resultados não nos surpreendem, pois nos baseamos em relatos de técnicos realmente competentes, como publicado na revista O Berro n ° 39, na qual são analisadas as pesquisas realizadas pelo Instituto de Zootecnia de Nova Odessa, onde o pesquisador afirma que: "A melhor opção de cruzamento para raças deslanadas, no momento, está sendo a Ile de France, por imprimir melhor condição de carcaça nos descendentes e, também, qualidade e precocidade no ganho-de-peso". Por isso, afirmarmos que “O Ile de France, se avaliar, não dá para comparar". Núcleo de Criadores de Ile de France dos Campos de Cima da Serra – Vacaria (RS).
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